Processos Pedagógicos em Elearning – Reflexão final

Num curso de mestrado com oito unidades curriculares que antecedem a dissertação, todas as temáticas têm uma importância relativamente ao contexto do curso. Se assim não fosse com toda a certeza não teriam sido incluídas no plano de estudos. Há, no entanto, aquelas que por uma razão ou por outra, acabam por assumir uma relevância maior e a quem o estudante dedica mais atenção. É o caso da unidade curricular Processos Pedagógicos em Elearning, lecionada pelo professor José Mota no 2º semestre do Mestrado em Pedagogia do Elearning, da Universidade Aberta.

E porquê tanta importância e tanto entusiasmo? Num curso onde o objeto principal de estudo e investigação é a Pedagogia do Elearning, uma unidade curricular denominada precisamente Processos Pedagógicos em Elearning chama, à partida, a atenção e incute, senão uma maior motivação, pelo menos uma curiosidade acrescida. Mas a uma partida segue-se sempre uma largada, uma corrida e uma chegada. E é durante o percurso que a motivação aumenta, alcança a curiosidade e com ela corta a meta a par. E porquê? A começar pelo contrato de aprendizagem, claro, objetivo, bem estruturado e equilibrado. E a acabar numa série de conteúdos, temas e atividades aliciantes. Tudo isto apoiado numa coleção cuidadosa de recursos disponibilizados que, a par com as pesquisas efetuadas, permitiram fazer de cada atividade um desafio.

Contudo, reza a lenda que não há bela sem senão. Uma série de contrariedades obrigaram a um percurso algo atribulado, forçando o sistemático incumprimento dos prazos estabelecidos e, consequentemente, uma menor qualidade nos produtos pedidos para conclusão de cada uma das atividades. Só a solidariedade dos colegas Sérgio Lagoa e João Brogueira e o incentivo e carinho do professor José Mota permitiram chegar ao final e terminar a unidade curricular, extenuado mas com a noção do dever cumprido. Para eles, colegas e professor, o meu obrigado.

A Temática I – A Pedagogia do eLearning, foi dividida em duas atividades: a) Pedagogia do eLearning e Papel do Professor Online; b) Personal Learning Environments. A atividade Pedagogia do eLearning e Papel do Professor Online implicou a publicação de 2 posts, centrados nas questões relativas à pedagogia do eLearning  e nas questões relativas ao papel do professor em contexto online. Foram disponibilizados, para leitura e reflexão, vários textos de vários autores: Terry Anderson & Jon Dron, Grainne Connole, George Siemens, Alec Couros, Rena Paloff & Keith Pratt. Por ser a primeira atividade e por envolver não só leituras diversas mas também a escrita, esta atividade revelou-se bastante interessante e motivadora.

No primeiro texto que produzi e que intitulei “Elearning – a tecnologia lado a lado com a pedagogia” são abordadas duas visões diferentes sobre as a evolução do ensino a distância: a perspetiva tecnológica e a perspetiva pedagógica. Com base nalgumas pesquisas e nos recursos da atividade, caracterizam-se os dois tipos de gerações e faz-se o paralelismo entre a evolução da tecnologia e o seu impacto da tecnologia nos modelos pedagógicos de ensino a distância, em larga escala adotadas no elearning. É inegável que as teorias o social-construtivistas e  conetivistas ganham maior expressão com o avanço das tecnologias que permitem privilegiar as interações sociais e centrar a aprendizagem no aluno.

No segundo texto, ao qual chamei “Ser professor em elearning“, caracterizo o professor online e estabeleço uma relação entre as práticas pedagógicas no ensino presencial, ainda fortemente centradas na transmissão de conhecimentos e no elearning, que privilegia os modelos construtivistas. O professor online é alguém que, além do mais, consegue criar a sua presença junto da comunidade de aprendizagem, sobretudo através das suas intervenções de negociação, moderação e orientação dos processos de aprendizagem.

Na atividade Personal Learning Environments foi solicitada a pesquisa e consulta de dois itens relacionados com os PLE e a anotação bibliográfica desses itens. Foi ainda pedido que publicássemos uma representação visual e comentada do nosso próprio PLE. Após uma pesquisa quase exaustiva, a anotação bibliográfica recaiu sobre um vídeo de Jordi Adell, onde este descreve a sua visão de PLE e sobre um texto de Linda Castañeda, que relata um estudo sobre uma experiência de introdução das TIC e desenvolvimento de um PLE, com estudantes do ensino superior presencial. Os dois itens revelaram-se bastante interessantes e mostram duas perspetivas diferentes do PLE: centrado na aprendizagem (Adell) e centrado no utilizador (Castañeda). Interessante o fato de uma “simples” atividade de anotação de bibliografia obrigar a reflexões profundas que, no caso, influenciaram mesmo a minha própria visão de PLE.

Apesar de não ter, até ao momento, dedicado muita atenção aos PLE, o tema não me era indiferente e já tinha feito alguma reflexão, ainda que superficial, sobre este novo conceito de ambiente de aprendizagem. Sem saber justificar, não conseguia entender a estranheza causada pelo fato de, em quase todas as descrições e representações dos PLE, o foco estar esmagadoramente centrado no utilizador. A dúvida dissipou-se ao visualizar a entrevista de Jordi Adell, onde ele explica e justifica porque é que, no seu entendimento, o PLE deve estar centrado na aprendizagem. Porque o PLE é uma forma de aprender, é um ambiente de aprendizagem, construído à “medida” de cada um mas com um objetivo central: aprender, quer pela consulta, quer pela partilha ou pela comunicação. Mas aprender… sempre!

Foi nesta base que nasceu a primeira representação visual do meu PLE que inclui (como não podia deixar de ser) a aprendizagem como núcleo central e a rede pessoal de aprendizagem juntamente com os recursos e fontes de informação como pontes para os serviços e ferramentas usados. Não foi fácil representar o PLE. Na perspetiva de que tudo está ligado com tudo mas que, se enveredasse por essa via, a representação ficaria demasiado confusa, senão mesmo ilegível, tentei simplificar ao máximo os conceitos e, com isso, cometi alguns erros, devidamente assinalados pelo professor José Mota na sua avaliação crítica. Um tema emergente e em constante evolução, a aprofundar em breve e que certamente dará lugar a uma nova representação, mais cuidada. Uma nota para o título que encabeça o gráfico: Personal Learning Network. É (foi) gralha mesmo. Um descuido provocado pelo cansaço e do qual só dei conta através do feedback do professor. Naquele momento e àquela hora o meu cérebro rodopiava de conceitos, qual carrossel repleto mas desgovernado. Ficará assim, nódoa em pano cru, até que a vergonha me vença e para que me lembre que há atividades que não se compadecem com distrações.

Na temática II a atividade proposta revelou-se um desafio simultaneamente enorme e desafiante: entrevistar um(a) professor(a) ou formador(a) online (diferente de fazer uma entrevista online a um professor) e, com base na informação relevante dessa entrevista, escrever e publicar um artigo científico, com cerca de 2000 palavras. Por força de algumas circunstâncias, esta atividade reuniu três colegas que, para o mal ou para o bem, ficarão umbilicalmente ligados até que alguma força superior os separe: João Brogueira, Sérgio Lagoa e eu próprio. Sem quase discussão os primeiros nomes avançados mereceram a imediata concordância do grupo, que se apressou a convidar os Professores Graham Attell e José Lagarto para a realização das entrevistas. Obtida a confirmação, rápida, cordial e repleta de entusiasmo, por parte dos convidados, foram elaborados os guiões que, após aprovação do professor José Mota, foram enviados aos entrevistados.

As entrevistas revelaram que um e outro, embora oriundos de culturas diferentes e lecionando em contextos pouco semelhantes, têm posições e linhas de ação coincidentes em muitos aspetos. Ambos privilegiam o apoio ao aluno e gostam de adaptar as práticas ao contexto. Attell refere que os PLE são importantes em qualquer contexto de aprendizagem e Lagarto prefere falar em tecnologia, tutoria e conteúdos ao invés de tecnologias de informação e comunicação. Um e outro revelam-se bastante céticos em relação à plena adoção de cursos online por parte das instituições de ensino superior. Contudo, paradoxalmente (ou talvez não) apostam no elearning como futuro sistema da formação e educação não formal.

Com tanta e tão rica informação, em discurso direto, a elaboração do artigo, onde o espírito de entre-ajuda entre os membros do grupo foi fundamental, revelou-se um exercício quase natural e simultaneamente pleno de satisfação intelectual e ultrapassou em larga escala (mais de 3000) o número de palavras pedido.

A temática III culminou a série de aprendizagens da unidade curricular, com a conceção de um curso online de curta duração (entre 3 a 4 semanas), com fundamentação das estratégias de ensino implementadas e das práticas pedagógicas adotadas. Apesar de nos últimos 15  anos me ter dedicado quase exclusivamente às TIC na educação, sou professor de Educação Visual e Tecnológica (EVT), a lecionar em horário completo na escola a cujo quadro pertenço. Foi pois, pelo menos para mim, natural que tivesse escolhido conceber um curso relacionado com a área em que sou docente.

Por exercer há longo tempo a função de formador no âmbito da formação contínua de professores e por estar recentemente ligado a um dos cursos que constam do plano de formação da Associação de Professores de Educação Visual e Tecnológica (APEVT), resolvi nesta atividade transformar um curso presencial, com 25 horas de duração, num curso inteiramente online, com duração prevista de 4 semanas e tempo estimado de 45 horas para a realização das atividades. O curso, que será realizado em ambiente moodle, desenvolve-se em 5 atividades distintas, contando como atividade o módulo de ambientação ao moodle e tem como objetivo a introdução de ferramentas digitais online no ensino da EVT e baseia-se no EVTux, uma compilação de ferramentas passíveis de serem utilizadas quer na disciplina de EVT (2º ciclo do ensino básico) quer ainda nas disciplinas de Educação Visual e Educação Tecnológica, que integram o currículo nacional do 3º ciclo do ensino básico. Apesar de não poder de vista o objetivo principal do curso, as atividades foram desenhadas tendo em conta crescente utilização das TIC na educação e a consequente necessidade de acompanhamento e enquadramento por parte dos professores. Assim, a 1ª atividade centra-se exclusivamente na análise, reflexão e debate das circunstâncias enunciadas e a 2ª atividade promove a pesquisa e reflexão que permitam conjugar alguns conteúdos de EVT com algumas das ferramentas do EVTux. Seguindo um modelo centrado no formando, mas onde (parafraseando Attwell) os processos são mais importantes, as atividades são diversificadas e convidam a uma forte interação entre os intervenientes, numa perspetiva socializante, tão cara às teorias sócio-construtivistas.

Foi uma atividade desgastante mas enriquecedora. Desgastante porque obrigou a uma reflexão exaustiva e simultaneamente a uma familiarização acelerada com a distribuição EVTux que, até ao início desta atividade, só existia em DVD e nunca tinha visto a luz…. do ecrã do computador. Enriquecedora porque a reflexão foi feita à custa da revisão de muitos dos textos disponibilizados como recursos da unidade, o que permitiu relembrar e aprofundar alguns conceitos. Simultaneamente, uma grande satisfação por, apesar de não ter sido o primeiro curso online que concebi, o ter feito de uma forma quase radicalmente diferente (para melhor, espero).

Em jeito de conclusão, direi que a frequência da unidade curricular Processos Pedagógicos em Elearning foi fundamental para o enriquecimento pessoal e será, com toda a certeza, muito útil não só na preparação e desenvolvimento da dissertação. Da mesma forma, a minha prática docente, essencialmente enquanto formador de professores, irá mudar, quer nas formações presenciais, online ou mistas.

Algumas considerações acerca do m-learning

My PLE

 

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O nosso ambiente de aprendizagem abarca tudo o que nos rodeia: livros, revistas, jornais, computador, telemóvel, televisão, família, amigos e toda e qualquer fonte de recursos ou de informação que nos permita, a cada momento, formal ou informalmente, desenvolver as nossas capacidades, adquirir novos conhecimentos ou solidificar os já adquiridos.

No entanto, o conceito de ambiente pessoal de aprendizagem (personal learning environment, ou PLE), tal como o conhecemos hoje, incide fundamentalmente no aproveitamento da chamada web 2.0 e no seu “forte impacto na educação e na concepção da aprendizagem” (Mota, 2009).

Adell (2020) concetualiza um PLE com duas partes distintas: os pressupostos teóricos do PLE, onde o foco incide sempre na aprendizagem e os componentes do PLE, a saber: ferramentas, recursos ou fontes de informação e as redes pessoais de aprendizagem.

Com base neste conceito e no âmbito duma actividade para a unidade curricular de Processos Pedagógicos em Elearning, tentei representar graficamente o meu PLE, numa tentativa de entender de que forma se relacionam as várias ferramentas disponíveis online e que utilizo no dia a dia e qual a sua contribuição para a minha aprendizagem, quer em contexto informal quer no contexto formal de mestrando em Pedagogia do Elearning.

Uma reflexão aprofundada permitiu-me classificar as ferramentas usadas em duas categorias distintas, seguindo o conceito proposto por Jordi Adell: as que contribuem como fonte de informação e recursos e as que contribuem para a comunicação síncrona ou assíncrona com todas as pessoas com quem mantenho contacto através da Internet e que, por esse motivo, fazem parte da minha rede pessoal de aprendizagem.

As ferramentas usadas foram agrupadas por tipologia, de acordo com uma lógica meramente condizente com a função de cada uma delas. No entanto, algumas das ferramentas usadas, senão mesmo quase todas, desempenham um papel polivalente, podendo, por exemplo, incluir-se simultaneamente na zona das mensagens instantâneas e do trabalho colaborativo ou, como é o caso do Youtube, que serve para pesquisa de vídeos mas que talvez se identifique mais como ferramenta de publicação e partilha de conteúdos. Um outro fator determinante para o agrupamento das ferramentas tem a ver com a simplificação da representação gráfica.

As relações entre as ferramentas e estas duas categorias (ou conceitos) são em todos os casos bidirecionais, porque considero que utilizo todas as ferramentas numa lógica de recetor e produtor de informação e de recursos se bem que, por vezes, exista algum desequilíbrio entre as duas vertentes, com a condição de recetor a sobrepor-se à de produtor.

No centro do PLE está a aprendizagem que, ainda de acordo com Adell, é o foco o centro de toda a actividade e a razão de ser do PLE. É para lá que tudo converge.

Uma nota final para a utilização da plataforma moodle da Universidade Aberta que, pela sua importância na actividade atual, é claramente uma ferramenta que abarca simultaneamente todos os conceitos: ferramenta de comunicação, fonte de informação, fonte de recursos e fortemente estruturante no seio da minha rede pessoal de aprendizagem.

Referências:

Adell, J. (2010). Que es um PLE -  Personal Learning Environment? [Vídeo]. Entrevista concedida a Conocity – Ciudad del Conocimiento. Disponível em http://conocity.eu/jordis-personal-learning-environment/. Acedido em Novembro de 2011.

Mota, J. (2009). Personal Learning Environments: Contributos para uma discussão do conceito. In Educação, Formação & Tecnologias, vol.2 (2); pp. 5-21, Novembro de 2009. http://eft.educom.pt/index.php/eft/article/view/105/66.

Bibliografia Anotada: Patchworking Web 2.0 for learning

Bibliografia anotada: Patchworking Web 2.0 for learning: Introducing ICT as a professional tool building Personal learning Environments

Castañeda, L.; Soto, J.(2010). Patchworking Web 2.0 for learning: Introducing ICT as a professional tool building Personal learning Environments.  The PLE Conference, ISSN 2077-9119. Disponível em http://pleconference.citilab.eu. Acedido em Novembro de 2011.

Descrição: estudo sobre uma experiência de introdução das TIC e desenvolvimento de um Personal Learning Environment, com estudantes do ensino superior presencial na Universidade de Murcia, Espanha.

150 alunos do ensino superior, onde a utilização regular das TIC se resume ao correio eletrónico, redes sociais, motores de busca e serviços de mensagens instantâneas, são encorajados a utilizar várias ferramentas web 2.0, gratuitas e disponíveis online e, com elas, construírem o seu Ambiente Pessoal de Aprendizagem. Apesar de poderem incluir no seu PLE as ferramentas que entenderem, os alunos são convidados a usar, entre outras, blogs, wikis, redes sociais, marcadores sociais, leitores de RSS, aplicações multimédia, suites de produtividade, agenda e serviços de publicação de artigos.

Através de um questionário e da observação da representação gráfica dos vários PLE, o estudo conclui que os alunos são levados a centrar os PLE na sua própria pessoa, ao mesmo tempo que têm alguma dificuldade em reflectir sobre o significado e importância dos mesmos. No entanto, no geral ficam bastante agradados com a experiência e presumem que continuarão a usar as ferramentas abordadas (e eventualmente outras) durante o seu futuro profissional.

Avaliação: o estudo, apesar de se afirmar naturalista, não apresenta qualquer referencial teórico de investigação. É, no entanto, um estudo sério e bem apresentado, com descrições detalhadas das várias fases de implementação e investigação. Ainda que de modo implícito, deixa no ar algumas interrogações e revela-se útil não só para futuras investigações sobre os PLE como, até, poderá servir de base para implementação de cursos relacionados com o aproveitamento das tecnologias de informação e comunicação na educação.

Bibliografia anotada: Que es um PLE?

Bibliografia anotada: Que es um PLE – Personal Learning Environment?

Adell, J. (2010). Que es um PLE -  Personal Learning Environment? [Vídeo]. Entrevista concedida a Conocity – Ciudad del Conocimiento. Disponível em http://conocity.eu/jordis-personal-learning-environment/. Acedido em Novembro de 2011.

Descrição: Entrevista com Jordi Adell, onde este descreve a sua visão de PLE – Personal Learning Environement (Ambiente Virtual de Aprendizagem).

O entrevistado desenha um mapa concetual frisando que um PLE não é um aplicação ou uma plataforma de aprendizagem nem uma forma de ensinar mas sim uma forma de aprender. O PLE é dividido em duas partes distintas:
- os pressupostos teóricos, onde se discute o foco na aprendizagem, os objetivos pessoais e as possibilidades oferecidas pela Internet;
- os componentes, onde se juntam as ferramentas de utilizamos para comunicar com as outras pessoas, os recursos ou fontes de informação e as redes pessoais de aprendizagem.

É dada uma especial relevância a uma participação ativa, quer através da comunicação quer na partilha de recursos.  Jordi afirma que para se edificar um bom PLE e cuidá-lo ao longo do tempo, é necessário construir uma relação de confiança com a rede de contactos e dar tanto como se recebe. Ser consumidor mas também produtor.

Avaliação: Definição muita clara e objectiva do que é, na perspetiva do autor, um Personal Learning Environment. Os conceitos abordados deixam várias pistas para pesquisas mais alargadas. Essencialmente útil para quem queira fazer uma primeira abordagem aos PLE.

Mapa concetual disponível em http://cmapserver.unavarra.es/servlet/SBReadResourceServlet?rid=1HTR75BFS-1D5R5HT-2NK&partName=htmltext.

 

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Ser professor em elearning


Fonte da imagem: Flickr

É comum estabelecer paralelismos entre o papel e as competências do professor no ensino presencial e as responsabilidades do mesmo na dinamização do ensino online.

Vários autores referem que o elearning tem como base uma perspetiva construtivista do ensino.

“Uma característica essencial do ensino online é a interação que possibilita um tipo de aprendizagem que se inscreve nos paradigmas construtivistas, e que se diferencia de outras formas de ensino a distância” (Morgado, 2001).

Ora, nos modelos atuais do ensino presencial, muitos dos princípios do construtivismo são aplicados por uma larga franja de professores e educadores nos vários níveis de ensino, como são exemplo os percursores e apoiantes do Movimento da Escola Moderna(1).

Mas, seja qual for o contexto e independentemente dos meios utilizados, o professor tem sempre como função facilitar ao estudante o desenvolvimento de competências e/ou a aquisição de conhecimentos. É, no fundo, esta a natureza de qualquer modalidade de ensino e o objetivo principal do processo de ensino e aprendizagem.

Onde está, então, a diferença entre uma e outra modalidade?

O papel do professor em contexto de ensino online depende de variáveis tão diversas como a natureza do ensino (formal ou não formal), dimensão temporal do curso ou o número de alunos.

Por outro lado o ensino pode ser mais centrado no professor ou no aluno conforme os objetivos do curso. Num e noutro caso as responsabilidades e tarefas  inerentes ao professor são distintas. No ensino mais centrado no professor a sua responsabilidade incide sobretudo na transmissão de conhecimentos e no ensino centrado no aluno o professor atua mais como guia e moderador da aprendizagem.

Andreson, Rourke, Archer & Garrison (2001), citados por Anderson (2008), identificam três características principais do professor no desempenho de um processo eficaz na criação da presença de ensino que, juntamente com a presença cognitiva e a presença social, constituem o modelo concetual de aprendizagem online desenvolvido por Garrison, Anderson & Archer (2000):

a) o desenho e a organização da experiência de aprendizagem, antes e durante a constituição da comunidade de aprendizagem;
b) a elaboração e implementação de atividades que promovam o discurso, numa perspetiva de desenvolvimento do pensamento;
c)  a transmissão direta de saberes com base no valor acrescentado da experiência e conhecimento do professor.

Uma das características do elearning é a possibilidade de permitir uma grande variedade de atividades síncronas e assíncronas, apoiadas no manancial de recursos que a Internet põe à disposição das instituições, dos professores e dos alunos. Se bem que as atividades síncronas, normalmente apoiadas em sistemas de chat, teleconferência ou videoconferência, confiram um maior grau de interatividade entre os participantes, têm a desvantagem de serem limitadas no tempo e exigirem, da parte de todos, uma disponibilidade imediata relacionada com o timing da atividade. Ao invés, as atividades que se desenvolvem com recurso à comunicação através de fóruns de discussão, redes sociais, blogs ou qualquer outra forma de comunicação assíncrona, permitem uma maior flexibilidade e autonomia na gestão do tempo. A possibilidade de combinação de estudo autónomo, atividades síncronas e atividades assíncronas, aliada ao cada vez maior repositório de materiais de estudo disponíveis em vários formatos, exige que o professor preveja e desenvolva um processo de negociação com os alunos no sentido de, respeitados os prazos e os temas de estudo, seja permitida alguma margem de manobra no desenvolvimento e conclusão das atividades.

Além das competências pedagógicas e conhecimento científico, ao professor online é exigido que domine as tecnologias utilizadas na conceção de materiais de estudo e na comunicação com os alunos e que, no mínimo, seja capaz de orientar os estudantes, quando estes necessitam de adquirir competências tecnológicas necessárias para o desenvolvimento das atividades ou produtos solicitados durante o processo de aprendizagem.

O ensino online atual valoriza fortemente a componente social e a interação entre os estudantes, com o objetivo de desenvolver o espírito crítico e a capacidade de argumentação, fomentar a troca de experiências e a partilha de recursos e saberes. A aprendizagem em grupo, ou em comunidade, proporciona um conhecimento acumulado, no sentido em que a acumulação de saberes de todos os membros da comunidade podem resultar num conhecimento mais sólido e profundo. O professor, na sua qualidade de orientador da aprendizagem, tem aqui um papel fundamental na moderação das intervenções, “respondendo às questões e preocupação dos estudantes e procurando constantemente formas de apoiar o aluno individualmente e o desenvolvimento da comunidade de aprendizagem enquanto um todo” (Anderson 2004), com um papel mais ou menos ativo consoante o rumo e a natureza das intervenções, deixando até, por vezes, a moderação a cargo da comunidade.

No ensino presencial, apesar das diversas correntes pedagógicas mais centrados no aluno serem cada vez mais uma constante, ainda que por vezes fortemente alteradas e adaptadas em função de condicionalismos vários, a transmissão de conhecimentos professor/aluno ainda é encarada por muitos (professores, alunos e população em geral) como a forma mais comum e mais prática de ensino. É pois, natural, que os alunos em contexto online, esperem do professor uma resposta a esta forma de pensamento tradicional. E, tal como foi dito mais atrás, ao professor, seja qual for o contexto ou método de ensino, é esperado que facilite ao aluno o desenvolvimento de competências e/ou aquisição de novos conhecimentos. Não pode, por isso, o professor na modalidade de elearning, deixar de ser detentor de uma forte componente de saber científico e, através da sua experiência e dos seus exemplos, partilhá-lo com a comunidade que orienta. Com entusiasmo, com paixão, com tolerância e, a todo o momento, procurando sempre a melhor forma de guiar os estudantes ao longo de um percurso de aprendizagem que todos desejam de sucesso.

Em resumo e respondendo sinteticamente à questão colocada no início, o que distingue verdadeiramente o professor online do professor presencial é, quanto a mim, além do domínio mais ou menos acentuado das tecnologias utilizadas durante o processo de aprendizagem, a capacidade de marcar a sua presença num grupo disperso geograficamente, onde o contacto físico é nulo ou quase inexistente, através de intervenções de qualidade, seja na negociação ou na moderação e orientação do processo de aprendizagem. Porque, para o professor online, a sala de aula é a Internet e o computador e é essa, tão só, a diferença. Citando mais uma vez Anderson (2004), este diz que um excelente professor online é um excelente professor. Concordo, mas sou levado a acrescentar que nada obsta a que, com algum esforço e dedicação, um bom professor presencial não venha a ser um excelente professor na modalidade de elearning.

(1) Movimento da Escola Moderna

Referências

Anderson, Terry (2008). Teaching in an Online Learning Context. In Anderson, Terry (Ed), Theory and Practice of Online Learning. Athabasca University: Au Press (2ª Edição). [Online] Disponível em http://www.aupress.ca/books/120146/ebook/14_Anderson_2008-Theory_and_Practice_of_Online_Learning.pdf. Acedido em Novembro de 2011.

Morgado, L. (2001). O Papel do professor em contextos de ensino online: problemas e virtualidades. Discursos: perspectivas em educação. Lisboa. III Série, Nº especial (2001), p. 125-138. [Online], disponível em http://repositorioaberto.univ-ab.pt/handle/10400.2/1743. Acedido em Novembro de 2011.

 

O Twitter não acabou

Twitter logo map
Fonte da imagem: Flickr

Terminou o módulo de formação, na unidade curricular Ambientes Virtuais de Aprendizagem, dedicado à exploração e utilização do Twitter em contexto profissional, mas não acabou o meu (relativo) entusiasmo em relação a este serviço. Que, se bem utilizado, poderá ser transformado numa ferramenta poderosa na consulta e partilha de informação e recursos.

Convém aqui fazer um parêntesis acerca do conceito “contexto profissional” que, no meu caso, se poderá desdobrar em dois, provavelmente três: primeiro, enquanto professor de Educação Visual e Tecnológica (EVT) numa escola do ensino básico, onde trabalho essencialmente com crianças com idades compreendidas entre os 10 e os 12 ou 13 anos; segundo, enquanto formador de professores na área das tecnologias educativas e aplicações informáticas; terceiro, enquanto estudante de mestrado em pedagogia do elearning o que pressupõe também um contexto de investigador nesta temática.

Se no primeiro caso não considero de especial relevância a utilização do Twitter no desenvolvimento das aulas de EVT, pelas razões que já expliquei num texto anterior, já enquanto formador, estudante e potencial investigador, as virtualidades duma ferramenta deste tipo são inegáveis. Porque, entre várias razões, o Twitter é relativamente fácil de usar, com uma curva de aprendizagem bastante curta (e não faltam manuais e tutoriais para quem quiser aprofundar os conhecimentos), porque a informação que circula é, na maioria dos casos, efetivamente relevante e de qualidade e porque existem numerosas ferramentas complementares que ajudam a sistematizar e organizar, se não toda, pelo menos uma boa parte dos recursos publicados.

Já tinha manifestado alguns anseios e receios quanto à forma de acompanhar toda a informação. De facto, quando seguimos um número substancial de pessoas cuja actividade é também substancialmente elevada, não é possível ler todas as mensagens e, pior ainda, consultar todos os recursos agregados às mensagens. Porque exige uma disponibilidade que não é compatível com os compromissos profissionais e sociais. Basta fazermos as contas.

No entanto, serviços como o paper.li, o summify, o scoop.it e outros são uma mais valia inestimável. Com estas ferramentas a organização dos recursos é automática e, melhor ainda, fica armazenada para posterior consulta, permitindo até, embora não seja aconselhável, que estejamos algum tempo ausentes, sem seguir a nossa timeline, sem receio de perdermos a informação relevante. Se bem configurados, estes serviços, juntamente com outros (diigo, delicious, packrati, etc) podem potenciar ao máximo a utilização do Twitter em contexto profissional.

Mas não é só na partilha de recursos que o Twitter se mostra eficaz. Desde que não se caia no erro de transformar a timeline numa sala de chat onde as conversas mundanas se sobreponham ao que realmente interessa, a sua utilidade como espaço de discussão (pese a limitação dos 140 caracteres), troca de ideias e divulgação de eventos é, na realidade, poderosa. Um dos melhores exemplos pode ser dado através dos chamados backchannel, espaço normalmente limitado no tempo, onde os participantes duma conferência trocam ideias entre si e divulgam ao mundo, em tempo real, o que se está a passar no evento.

Por muitos considerado uma rede social, não é possível comparar o Twitter a outras ferramentas do género como, por exemplo, o Facebook ou o Google+. As características são radicalmente diferentes e. em muitos casos, os objectivos dos utilizadores, dum e doutro serviço, também são distintos. É interessante verificar que o Twiiter, à semelhança do Facebook ou do Google+, permite associar ligações, imagens ou vídeos. No entanto, até pela forma de visualização dos recursos anexos a cada mensagem, a diferença é evidente. E a “limitação” dos 140 caracteres, algo intimidante no início, faz do Twitter uma ferramenta em que a capacidade de síntese obriga à eficácia das mensagens e à capacidade de comunicação dos utilizadores o que, por si só, acaba por fazer uma selecção natural entre quem usa ou não usa o Twitter.

Nas últimas quatro semanas a utilização do Twitter foi intensa. Cético no início, acabei por ao longo deste tempo e aproveitando as orientações do Paulo Simões, nosso professor e guru neste módulo, navegar através do Twitter na expectativa de entender e aproveitar melhor algo que não me convencia, muito por força de algumas ideias pré-concebidas, apesar de já conhecer e utilizar (muito pouco). Os seis textos anteriores mostram, de alguma forma, as dúvidas mas também o entusiasmo.

Concluo afirmando que se algumas dúvidas subsistem, não são impeditivas de continuar a utilizar o Twitter como ferramenta de partilha de conteúdos, aproveitando ao máximo as suas características e, mais importante ainda, aproveitando ao máximo o potencial académico e profissional das pessoas que alimentam a minha timeline. Farei um esforço para retribuir…

Não é por acaso que muitos destes utilizadores, distintos académicos e distintos investigadores, fazem do twitter uma ferramenta privilegiada de troca de informação. Se é bom para eles, porque é que não deveria ser bom para mim?

Elearning – a tecnologia lado a lado com a pedagogia

Traffic Light
Fonte da imagem: Flickr

O Elearning (electronic learning) junta dois conceitos distintos: tecnologias e aprendizagem. Enquanto método de ensino a distância o elearning utiliza simultaneamente as tecnologias como meio de comunicação entre professores e alunos e como fonte de pesquisa, consulta e partilha de informação.

Numa perspetiva tecnológica vários autores dividem o ensino a distância em gerações diferentes, em função dos meios adotados para a troca de informação entre professores e alunos e de acordo com as formas de comunicação utilizadas.

Garrison (1985) e Nipper (1989), citados por Gomes (2003), embora com algumas diferenças, consideram três gerações de ensino a distância com início na troca de correspondência por correio postal (1ª geração), passando pela introdução dos media como forma de transmissão de conteúdos e pelas telecomunicações facilitadoras da comunicação síncrona (2ª geração), terminando numa nova e última fase em que a utilização do computador e as comunicações através da Internet são o veículo por excelência para o processo de ensino e aprendizagem (3ª geração).

No artigo “Gerações de inovação tecnológica no ensino a distância” que tem precisamente como base o texto de Garrison “Three generations of technological innovations in distance education“, Gomes considera ainda uma última e 4ª geração de ensino a distância, cuja característica principal é “uma representação multimédia dos conteúdos de ensino estruturada sobre redes de comunicação por computador.” Considera a autora que já não se trata somente da utilização de documentos multimédia interativos e estáticos, mas sim de conteúdos multimédia passíveis de alteração e reconstrução, através dos ambientes colaborativos de trabalho em rede.

Ao longo dos tempos têm sido várias as correntes pedagógicas adotadas, umas mais que outras, quer no ensino presencial quer no ensino a distância. Anderson & Dron (2011) tipificam três gerações de modelos pedagógicos com influência no ensino a distância: o cognitivo-behaviorismo, o social-construtivismo e o conetivismo.

O behaviorismo, conceito introduzido por John Watson, caracteriza-se pelo estudo dos comportamentos observáveis, nomeadamente em novos comportamentos adquiridos em resultado de respostas individuais a estímulos, sendo ignorada a análise das atitudes e das capacidades, como referem Anderson & Dron:

Note in this definition the focus on the individual and the necessity for measuring actual behaviours and not attitudes or capacities“.

Impulsionado por esta lacuna, o cognitivismo, termo introduzido por Ulrich Neisser em 1967 no livro “Cognitive Psychology“, tenta aprofundar os processos mentais que conduzem a determinados comportamentos e considerar outros parâmetros tais como a motivação, as atitudes ou a capacidade de adquirir novos conhecimentos.

As teorias behavioristas e cognitivistas conduzem geralmente a modelos de ensino a distância que têm como base a transmissão de conhecimento, com centro no professor e no objeto de estudo. Os processos de ensino são fortemente estruturados e a aprendizagem é um processo individual, com a interação social a resumir-se à (escassa) comunicação, síncrona ou assíncrona, entre professor e aluno.

O pensamento construtivista, iniciado por Jean Piaget mas cuja divulgação se acentuou com a tradução dos trabalhos de Lev Vygotsky, centra no aprendente e nas interações sociais a construção do conhecimento, enviando para segundo plano a transmissão de saberes através do professor, que se assume mais como um guia, um tutor ou mesmo um parceiro, cuja preocupação fundamental será programar e estruturar as atividades e os contextos de aprendizagem. A aprendizagem é um processo ativo e a aquisição de novos conhecimentos faz-se com base nos conhecimentos já adquiridos.

Os modelos pedagógicos de ensino a distância assentes no construtivismo privilegiam a interação social baseada em comunicação síncrona ou assíncrona, através dos diversos meios tecnológicos postos à disposição dos alunos. Os processos de aprendizagem têm primazia sobre os conteúdos e assume-me a experimentação como fonte primária de aquisição de conhecimento.

George Siemens e Stephen Downes definiram recentemente o conetivismo como uma forma de aprendizagem baseada num processo de construção de conhecimento através de redes de informação, de contactos e de recursos que se aplicam a problemas reais. A abundância de informação e os meios de distribuição permitem que o estudante não tenha que memorizar ou sequer compreender tudo o que aprende, mas sim ter a capacidade para pesquisar e aplicar o conhecimento quando e onde for necessário.

No ensino a distância o conetivismo depende largamente do acesso dos estudantes a redes de conhecimento, com interações sociais abundantes e intensas. As necessidades de aprendizagem são definidas pelos próprios estudantes em função dos seus objetivos e expectativas. Professores e alunos são simultaneamente responsáveis pela produção de conteúdos e a aprendizagem desenvolve-se em conjunto com a contribuição para a construção do conhecimento dos pares.

Apesar da classificação sugerida por Gomes (2003) ter como base os meios utlizados na disponibilização dos conteúdos e/ou nas formas de comunicação entre professores e alunos, existem fatores inerentes que influenciam os modelos pedagógicos adotados no ensino a distância.

Supomos que da análise que foi feita facilmente se depreende que determinadas tecnologias permitem certas opções pedagógicas que outras não permitem e que esse é um fator importante a considerar na seleção de um modelo de educação a distância“.

Se, numa primeira fase, a comunicação através da correspondência postal, sendo bidirecional, assíncrona e lenta, resumindo-se quase exclusivamente à entrega dos objetos de estudo e, na volta do correio, ao envio dos documentos para avaliação, obrigava a um modelo de ensino altamente individualizado e solitário, nas gerações posteriores a possibilidade de interação síncrona entre professores e alunos e alunos entre si, potenciada pela utilização do telefone e da áudio e vídeo conferências, aliada à velocidade das formas de comunicação assíncrona, de que o correio eletrónico é o melhor exemplo, permitia (e permite) uma aprendizagem assente em ambientes mais colaborativos, onde as interações sociais e a partilha de conhecimentos assumem uma dimensão relevante.

Por fim, a emergência do conetivismo só é possível graças ao acesso às poderosas tecnologias de rede (Anderson & Dron, 2011), potenciados pela Internet. As redes sociais, os múltiplos serviços e ferramentas que possibilitam a construção, armazenamento, publicação e partilha de conteúdos, a par com a velocidade quase estonteante das comunicações síncronas e assíncronas, onde os dispositivos móveis ganham cada vez mais um lugar de relevo, são exemplos de que a tecnologia e pedagogia caminham a par e passo na evolução do ensino a distância permitindo, contudo,  que as várias gerações coexistam em função dos objetivos e dos contextos em que se desenvolvem.

Referências

ANDERSON, T & DRON, J. (2011). Three Generations of Distance Education Pedagogy. In International Review of Research in Open and Distance Learning, 12(3), pp. 80-97.
Disponível em: http://www.irrodl.org/index.php/irrodl/article/view/890 (Acedido em Outubro de 2011).

GOMES, M. J. (2003). Gerações de Inovação Tecnológica no Ensino a Distância. In Revista Portuguesa da Educação, Braga: universidade do Minho, Instituto de Educação e Psicologia, 16(1), pp. 137-156.
Disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/496 (Acedido em Outubro de 2011).

MyMPeL BackChannel

mympel_backchannel

A 2º Conferência do Mestrado em Pedagogia do Elearning, myMPeL 2011, realizada no passado dia 21, sexta feira, foi um sucesso a todos os níveis: organizativo (a organização esteve a cargo dos mestrandos da edição anterior do mestrado), participativo e, sobretudo, qualitativo.

O programa da conferência, diversificado, contou com a presença de vários oradores, externos ou com ligação à Universidade Aberta e a qualidade das intervenções, duns e doutros, impressionou pela positiva (outra coisa não seria de esperar, dado reconhecido mérito académico e profissional dos intervenientes). Um destaque carinhoso para o painel de pecha-kucha dinamizado pelos colegas da 4ª edição do MPel. Bravo!!!

Foi no entanto através do Twitter que as emoções estiveram ao rubro, com o backchannel da conferência (hashtag #mympel) a funcionar em pleno e a provar que, afinal, é possível usar mensagens de 140 caractres para divulgar em tempo real aspectos tão variados como o nome do orador e o tema da intervenção, frases ou conceitos relevantes, ligações coerentes com as temáticas abordadas ou, ainda, trocar impressões com os outros participantes, quer estejam ou não a assistir “in loco” à conferência.

Impressionante a vitalidade dos comentários, pausados, acertivos e, sobretudo, de grande utilidade como divulgação do evento e a funcionar também como arquivo para consultura futura. Bem melhor que tirar apontamentos num bloco notas é utilizar o Twitter como backchannel. Agora sim, começo a ficar convencido ;-)

O curador

Curator Web

Foi há cerca de 8 meses, na 1ª edicção da Conferência Online de Informática Educacional que ouvi pela primeira vez o termo “curator” (curador) aplicado à troca e partilha de informação online, mais concretamente ligado à agregação de conteúdos. Nessa altura não entendi plenamente o significado do termo. Um curador é normalmente um administrador de bens ou alguém que zela por determinados interesses. O termo é usualmente aplicado a administradores de museus, se bem que, de acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa possa ainda ser um tratador de cavalos ou ainda e para os brasileiros, segundo o Dicionário Online da Porto Editora, um curandeiro. Curiosamente é o Oxford Dictionary que se refere concretamente a “curator” como um gurdião de arte.

Com um significado e uma função diferentes do proposto pelos diversos dicionários, penso ter-me iniciado, ainda que em escala reduzida  e com recurso aos serviços paper.li e summify, nas lides de curador, ou curator, termos que foram frequentemente referidos no contexto da formação em Twitter que a turma da 5ª edição do Mestrado em Pedagogia do Elearning, da Universidade Aberta, está a realizar como 1º módulo da unidade curricular Ambientes Virtuais de Aprendizagem. E penso porque, neste momento, não tenho a certeza absoluta do que significa ser curador. Um simples agregador de conteúdos, obtidos automaticamente pelo Twitter, filtrando as mensagens com links, através de palavras-chave ou difundidas pelas listas temáticas? Ou alguém que, obtida a informação, não se limita a juntá-la e (re)publicá-la mas antes a trata e acrescenta alguma mais valia, em forma de reflexão ou provocando a discussão? Acerca desta questão vale a pena obervar o que diz C.W. Anderson quando afirma taxativamente que “there’s a difference, and it matters“.