O Twitter não acabou

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Fonte da imagem: Flickr

Terminou o módulo de formação, na unidade curricular Ambientes Virtuais de Aprendizagem, dedicado à exploração e utilização do Twitter em contexto profissional, mas não acabou o meu (relativo) entusiasmo em relação a este serviço. Que, se bem utilizado, poderá ser transformado numa ferramenta poderosa na consulta e partilha de informação e recursos.

Convém aqui fazer um parêntesis acerca do conceito “contexto profissional” que, no meu caso, se poderá desdobrar em dois, provavelmente três: primeiro, enquanto professor de Educação Visual e Tecnológica (EVT) numa escola do ensino básico, onde trabalho essencialmente com crianças com idades compreendidas entre os 10 e os 12 ou 13 anos; segundo, enquanto formador de professores na área das tecnologias educativas e aplicações informáticas; terceiro, enquanto estudante de mestrado em pedagogia do elearning o que pressupõe também um contexto de investigador nesta temática.

Se no primeiro caso não considero de especial relevância a utilização do Twitter no desenvolvimento das aulas de EVT, pelas razões que já expliquei num texto anterior, já enquanto formador, estudante e potencial investigador, as virtualidades duma ferramenta deste tipo são inegáveis. Porque, entre várias razões, o Twitter é relativamente fácil de usar, com uma curva de aprendizagem bastante curta (e não faltam manuais e tutoriais para quem quiser aprofundar os conhecimentos), porque a informação que circula é, na maioria dos casos, efetivamente relevante e de qualidade e porque existem numerosas ferramentas complementares que ajudam a sistematizar e organizar, se não toda, pelo menos uma boa parte dos recursos publicados.

Já tinha manifestado alguns anseios e receios quanto à forma de acompanhar toda a informação. De facto, quando seguimos um número substancial de pessoas cuja actividade é também substancialmente elevada, não é possível ler todas as mensagens e, pior ainda, consultar todos os recursos agregados às mensagens. Porque exige uma disponibilidade que não é compatível com os compromissos profissionais e sociais. Basta fazermos as contas.

No entanto, serviços como o paper.li, o summify, o scoop.it e outros são uma mais valia inestimável. Com estas ferramentas a organização dos recursos é automática e, melhor ainda, fica armazenada para posterior consulta, permitindo até, embora não seja aconselhável, que estejamos algum tempo ausentes, sem seguir a nossa timeline, sem receio de perdermos a informação relevante. Se bem configurados, estes serviços, juntamente com outros (diigo, delicious, packrati, etc) podem potenciar ao máximo a utilização do Twitter em contexto profissional.

Mas não é só na partilha de recursos que o Twitter se mostra eficaz. Desde que não se caia no erro de transformar a timeline numa sala de chat onde as conversas mundanas se sobreponham ao que realmente interessa, a sua utilidade como espaço de discussão (pese a limitação dos 140 caracteres), troca de ideias e divulgação de eventos é, na realidade, poderosa. Um dos melhores exemplos pode ser dado através dos chamados backchannel, espaço normalmente limitado no tempo, onde os participantes duma conferência trocam ideias entre si e divulgam ao mundo, em tempo real, o que se está a passar no evento.

Por muitos considerado uma rede social, não é possível comparar o Twitter a outras ferramentas do género como, por exemplo, o Facebook ou o Google+. As características são radicalmente diferentes e. em muitos casos, os objectivos dos utilizadores, dum e doutro serviço, também são distintos. É interessante verificar que o Twiiter, à semelhança do Facebook ou do Google+, permite associar ligações, imagens ou vídeos. No entanto, até pela forma de visualização dos recursos anexos a cada mensagem, a diferença é evidente. E a “limitação” dos 140 caracteres, algo intimidante no início, faz do Twitter uma ferramenta em que a capacidade de síntese obriga à eficácia das mensagens e à capacidade de comunicação dos utilizadores o que, por si só, acaba por fazer uma selecção natural entre quem usa ou não usa o Twitter.

Nas últimas quatro semanas a utilização do Twitter foi intensa. Cético no início, acabei por ao longo deste tempo e aproveitando as orientações do Paulo Simões, nosso professor e guru neste módulo, navegar através do Twitter na expectativa de entender e aproveitar melhor algo que não me convencia, muito por força de algumas ideias pré-concebidas, apesar de já conhecer e utilizar (muito pouco). Os seis textos anteriores mostram, de alguma forma, as dúvidas mas também o entusiasmo.

Concluo afirmando que se algumas dúvidas subsistem, não são impeditivas de continuar a utilizar o Twitter como ferramenta de partilha de conteúdos, aproveitando ao máximo as suas características e, mais importante ainda, aproveitando ao máximo o potencial académico e profissional das pessoas que alimentam a minha timeline. Farei um esforço para retribuir…

Não é por acaso que muitos destes utilizadores, distintos académicos e distintos investigadores, fazem do twitter uma ferramenta privilegiada de troca de informação. Se é bom para eles, porque é que não deveria ser bom para mim?

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